Considere o problema do teste diagnóstico de uma doença que afeta 2% da população. Um “teste de varredura” é feito, isto é indivíduos fazem o teste sem que haja indicação ou suspeita de se ter a doença. Um determinado teste diagnóstico para a doença tem sensibilidade de 90% e especificidade de 80%. Em outras palavras, se uma pessoa tem a doença, o teste resulta positivo com probabilidade 0,90, e se a pessoa não tem a doença, o teste resulta negativo com probabilidade 0,80.
Considere agora um outro teste com sensibilidade de 80% e especificidade de 90%.
Definindo notação:
Redefinindo notação:
Valores fornecidos:
Priori
Verossimilhança
Valores que podem ser calculados
Posteriori
Marginal (preditiva a priori)
Caso 1:
Priori: \(P(\theta)\)
Para teste POSITIVO:
Verossimilhança: \(P(Y = 1 |
\theta)\)
ex01.1 <- tibble::tibble(
theta = c(0,1),
priori = c(0.98, 0.02),
vero = c(0.20, 0.90),
produto = priori * vero,
posteriori = produto/sum(produto)
)
kable2(ex01.1, digits = 4)| theta | priori | vero | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 0.98 | 0.2 | 0.196 | 0.9159 |
| 1 | 0.02 | 0.9 | 0.018 | 0.0841 |
Para teste NEGATIVO:
Verossimilhança: \(P(Y = 0 |
\theta)\)
ex01.2 <- tibble::tibble(
theta = c(0,1),
priori = c(0.98, 0.02),
vero = c(0.80, 0.10),
produto = priori * vero,
posteriori = produto / sum(produto)
)
kable2(ex01.2, digits = 4)| theta | priori | vero | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 0.98 | 0.8 | 0.784 | 0.9975 |
| 1 | 0.02 | 0.1 | 0.002 | 0.0025 |
A tabela a seguir combina todos os possíveis resultados (possíveis valores de \(Y\)). A partir dela pode-se obter as probabilidades do teste de um paciente selecionado ao acaso dar positivo ou negativo. Esta é a distribuição marginal.
ex01.12 <- tibble::tibble(
theta = c(0,1),
priori = c(0.98, 0.02),
Y0 = tibble::tibble(
vero = c(0.80, 0.10),
produto = priori * vero,
posteriori = produto / sum(produto)
),
Y1 = tibble::tibble(
vero = c(0.20, 0.90),
produto = priori * vero,
posteriori = produto/sum(produto)
)
)
kable2(tidyr::unpack(ex01.12, cols = c(Y0, Y1), names_sep = "."), digits = 4)| theta | priori | Y0.vero | Y0.produto | Y0.posteriori | Y1.vero | Y1.produto | Y1.posteriori |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 0.98 | 0.8 | 0.784 | 0.9975 | 0.2 | 0.196 | 0.9159 |
| 1 | 0.02 | 0.1 | 0.002 | 0.0025 | 0.9 | 0.018 | 0.0841 |
marginal <- tibble::tibble(
y = c(0, 1),
P_Y = sapply(ex01.12[c("Y0", "Y1")], \(x) sum(x$produto))
)
kable2(marginal, digits = 4, col.names = c("$y$", "$P(Y=y)$"))| \(y\) | \(P(Y=y)\) |
|---|---|
| 0 | 0.786 |
| 1 | 0.214 |
Caso 2:
ex01.3 <- tibble::tibble(
theta = c(0,1),
priori = c(0.98, 0.02),
vero1 = c(0.20, 0.90),
vero2 = c(0.20, 0.90),
produto = priori * vero1 * vero2,
posteriori = produto / sum(produto)
)
kable2(ex01.3, digits = 4)| theta | priori | vero1 | vero2 | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 0.98 | 0.2 | 0.2 | 0.0392 | 0.7076 |
| 1 | 0.02 | 0.9 | 0.9 | 0.0162 | 0.2924 |
Caso 3:
ex01.4 <- tibble::tibble(
theta = c(0,1),
priori = c(0.98, 0.02),
vero1 = c(0.20, 0.90),
vero2 = c(0.80, 0.10),
vero3 = c(0.20, 0.90),
produto = priori * vero1 * vero2 * vero3,
posteriori = produto / sum(produto)
)
kable2(ex01.4, digits = 4)| theta | priori | vero1 | vero2 | vero3 | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 0 | 0.98 | 0.2 | 0.8 | 0.2 | 0.0314 | 0.9509 |
| 1 | 0.02 | 0.9 | 0.1 | 0.9 | 0.0016 | 0.0491 |
Estima-se que um estudante tem uma chance de 40% de dominar um determinado assunto. O estudante faz uma questão de múltipla escolha (com cinco alternativas) para avaliar seu conhecimento. O estudante tem 85% de chance de acertar a questão se domina o assunto.
Considere o Problema das portas de Monty Hall:
O apresentador explica que existe um prêmio por trás de uma de três
portas. Um “jogador” é convidado a escolher uma porta para tentar ganhar
um prêmio. O jogador escolhe a porta, mas, antes de ser revelado se
ganhou é revelada uma porta sem o prêmio e é dada ao jogador a opção de
trocar a escolha de porta.
Qual a melhor estratégia em termos de probabilidade de ganhar o prêmio: trocar a porta, não trocar ou a troca é indiferente?
Seja uma urna contendo uma bola branca. Bola(s) pretas são adicionadas à urna em quantidade definida pelo resultado do lançamento de um dado com resultado não revelado. Retira-se uma bola da urna e observa-se que ela é preta.
Estude outras situações:
Notação:
a)
ex04.1 <- tibble::tibble(
theta = 1:6,
priori = rep(1/6, 6), ## P(θ)
vero = (1:6)/(2:7), ## P(Y=1|θ)
produto = priori * vero,
posteriori = produto /sum(produto)## P(θ|Y=preta)
)
kable2frac(ex04.1, digits = 4)| theta | priori | vero | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 1/6 | 1/2 | 1/12 | 70/617 |
| 2 | 1/6 | 2/3 | 1/9 | 131/866 |
| 3 | 1/6 | 3/4 | 1/8 | 105/617 |
| 4 | 1/6 | 4/5 | 2/15 | 112/617 |
| 5 | 1/6 | 5/6 | 5/36 | 149/788 |
| 6 | 1/6 | 6/7 | 1/7 | 120/617 |
b)
ex04.2 <- tibble::tibble(
theta = 1:6,
priori = c(3,3,2,2,1,1)/12, ## P(θ)
vero = (1:6)/(2:7), ## P(Y=1|θ)
produto = priori * vero,
posteriori = produto /sum(produto)## P(θ|Y=preta)
)
kable2frac(ex04.2, digits = 4)| theta | priori | vero | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 1/4 | 1/2 | 1/8 | 241/1332 |
| 2 | 1/4 | 2/3 | 1/6 | 179/742 |
| 3 | 1/6 | 3/4 | 1/8 | 241/1332 |
| 4 | 1/6 | 4/5 | 2/15 | 325/1684 |
| 5 | 1/12 | 5/6 | 5/72 | 136/1353 |
| 6 | 1/12 | 6/7 | 1/14 | 61/590 |
c)
ex04.3 <- tibble::tibble(
theta = 1:6,
priori = rep(1/6, 6), ## P(θ)
vero1 = (1:6)/(2:7), ## P(Y1=1|θ)
vero2 = (0:5)/(1:6), ## P(Y2=1|θ,Y1=1)
produto = priori * vero1 * vero2,
posteriori = produto /sum(produto)## P(θ|Y1=1,Y2=1)
)
kable2frac(ex04.3, digits = 4)| theta | priori | vero1 | vero2 | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 1/6 | 1/2 | 0 | 0 | 0 |
| 2 | 1/6 | 2/3 | 1/2 | 1/18 | 70/591 |
| 3 | 1/6 | 3/4 | 2/3 | 1/12 | 35/197 |
| 4 | 1/6 | 4/5 | 3/4 | 1/10 | 42/197 |
| 5 | 1/6 | 5/6 | 4/5 | 1/9 | 140/591 |
| 6 | 1/6 | 6/7 | 5/6 | 5/42 | 50/197 |
d)
ex04.4 <- tibble::tibble(
theta = 1:6,
priori = c(3,3,2,2,1,1)/12, ## P(θ)
vero1 = (1:6)/(2:7), ## P(Y1=1|θ)
vero2 = (0:5)/(1:6), ## P(Y2=1|θ,Y1=1)
produto = priori * vero1 * vero2,
posteriori = produto /sum(produto)## P(θ|Y1=1,Y2=1)
)
kable2frac(ex04.4, digits = 4)| theta | priori | vero1 | vero2 | produto | posteriori |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 1/4 | 1/2 | 0 | 0 | 0 |
| 2 | 1/4 | 2/3 | 1/2 | 1/12 | 105/481 |
| 3 | 1/6 | 3/4 | 2/3 | 1/12 | 105/481 |
| 4 | 1/6 | 4/5 | 3/4 | 1/10 | 126/481 |
| 5 | 1/12 | 5/6 | 4/5 | 1/18 | 70/481 |
| 6 | 1/12 | 6/7 | 5/6 | 5/84 | 75/481 |
Colocando os quatro casos numa mesma figura para comparação visual.
par(mfrow=c(2,2), mar=c(3.2,2,1,1), mgp = c(1.8,1,0))
plot.exemplo(ex04.1, YLIM=c(0,0.30))
plot.exemplo(ex04.2, YLIM=c(0,0.30))
plot.exemplo(ex04.3, YLIM=c(0,0.30))
plot.exemplo(ex04.4, YLIM=c(0,0.30))Em todos os casos a bola preta favorece os valores maiores de \(\theta\) (mais faces pretas no dado). Note-se o efeito das prioris: para priori uniforme (item a)), a moda da posteriori é \(\theta=6\). Com a priori não uniforme, que favorece dados com poucas faces, o valor mais provável passa a ser \(\theta=2\).
Ao observar uma segunda bola preta, a evidência a favor de valores maiores de \(\theta\) se acumula: com priori uniforme a probabilidade de \(\theta=1\) á nula pois é impossível tirar duas bolas pretas sem reposição se só há uma bola preta na urna e a moda fica em \(\theta=6\) (item c0)) enquanto que com a priori não uniforme, mesmo favorecendo valores baixos, a moda passa a \(\theta=4\).
Suponha que a proporção de canhotos na população é desconhecida e queremos estimá-la considerando apenas três possíveis valores: 0,05, 0,10 e 0,15. Atribui-se a estes valores as probabilidades \(0{,}60\), \(0{,}30\) e \(0{,}10\), respectivamente.
Considere agora, no contexto da questão anterior, valores de \(\theta\) entre 1 e 30% (valores percentuais inteiros) e probabilidades iniciais proporcionais a 5, 3 e 1 para \(\theta \in \{1, 2, \ldots 10\}\), \(\theta \in \{11, 12, \ldots 20\}\) e \(\theta \in \{21, 22, \ldots 30\}\), respectivamente. Obtenha os resultados pedidos na questão anterior para este caso.
Suponha que o número de ocorrências de um determinado evento em um intervalo de tempo segue uma distribuição de Poisson com parâmetro \(\theta\). Considera-se dez possíveis valores para \(\theta\): \(1, 2, 3, \ldots 10.\)
Em todos os exemplos anteriores, a probabilidade a posteriori foi calculada como
\[ P(\theta \mid Y = y) = \frac{P(Y=y\mid\theta)\,P(\theta)}{P(Y=y)}, \qquad \text{onde} \qquad P(Y=y) = \sum_\theta P(Y=y\mid\theta)\,P(\theta). \]
O denominador \(P(Y=y)\),
corresponde exatamente a soma sum(produto) calculada em
cada um dos exemplos anteriores. Esta soma para cada possível valor de
\(Y\) é a distribuição
preditiva a priori (ou marginal) da variável
observável \(Y\). Até aqui, essa
quantidade apareceu apenas como normalizador no cálculo da posteriori.
Ela pode ser calculada para todos os possíveis valores
de \(Y\), não só para o valor
observado. Isto foi visto no Exemplo 1 quando a
distribuição marginal (distribuição de \(Y\)) foi calculada. O resultado é uma
distribuição de probabilidades sobre \(Y\) que representa o que o modelo espera
observar antes de qualquer dado ser coletado e que
depende inteiramente da priori escolhida para \(\theta\).
Essa distribuição é útil, entre outras coisas, para:
Mais adiante no curso, essa mesma ideia reaparecerá como distribuição preditiva a posteriori, substituindo a priori \(P(\theta)\) pela posteriori \(P(\theta\mid Y=y)\) útil, por exemplo, para prever uma nova observação ou para checagem do modelo.